Apesar de sua aparente imprevisibilidade, o vento traduz uma contínua movimentação da atmosfera, resultante da circulação de massas de ar provocada pela energia radiante do Sol e pela rotação da Terra.  Entre os principais mecanismos atuantes, destaca-se o aquecimento desigual da superfície terrestre, que ocorre tanto em escala global (latitudes e ciclo dia-noite) quanto local (mar-terra, montanha-vale).   Assim, é natural que as velocidades e direções de vento apresentem tendências diurnas e sazonais dentro de seu caráter estocástico.  
A figura abaixo sintetiza os regimes diurnos e sazonais para distintas regiões do Rio Grande do Sul, com base nos registros de médias de 10 minutos obtidos das torres anemométricas.   Os gráficos apresentam as velocidades médias horárias do vento normalizadas - i.e. divididas pelo valor da velocidade média anual - e a sua variação ao longo das 24 horas do dia e dos 12 meses do ano.  


Quanto à sazonalidade, a figura acima indica ventos mais intensos na segunda metade do ano, ocorrendo em todas as regiões - com pequenas defasagens na ocorrência dos picos entre os extremos leste e oeste do Estado.  Esta sazonalidade também é apresentada nos Mapas Eólicos.    

Quanto aos regimes diurnos, nota-se uma defasagem - na ocorrência dos picos - entre as áreas litorâneas e o interior do Estado: no litoral, as brisas marinhas favorecem ventos mais intensos no período da tarde até o anoitecer, enquanto que no interior os ventos são mais intensos no período noturno.
No escoamento atmosférico sobre o Rio Grande do Sul prevalecem os efeitos ditados pela dinâmica entre o anticiclone subtropical Atlântico, os intermitentes deslocamentos de massas polares e a depressão barométrica do nordeste da Argentina.   O anticiclone subtropical Atlântico é um centro de altas pressões cuja posição média anual é próxima a 30°S, 25°W.  A circulação atmosférica dele resultante, no sentido anti-horário, resulta no predomínio de ventos de leste-nordeste sobre toda a área do Brasil situada abaixo da latitude 10°S.   A depressão barométrica do nordeste da Argentina é uma área quase permanente de baixas pressões, geralmente estacionária a leste dos Andes, cuja posição anual média é de aproximadamente 29°S, 66°W.   Esta depressão é causada pelo bloqueio da circulação geral atmosférica imposto pelos Andes e acentuada pelo intenso aquecimento das planícies de baixa altitude da região.  

O gradiente de pressão atmosférica entre a depressão do nordeste da Argentina e o anticiclone subtropical Atlântico induz um escoamento persistente de leste-nordeste ao longo de toda a região Sul do Brasil.   Desse escoamento resultam velocidades médias anuais de 5.5m/s a 6.5m/s sobre grandes áreas da região.    Entretanto, esse perfil geral de circulação atmosférica encontra variações significativas na mesoescala e na microescala, por diferenças em propriedades de superfícies, tais como geometria e altitude de terreno, vegetação e distribuição de superfícies de terra e água.   Desses fatores podem resultar condições de vento locais que se afastam significativamente do perfil geral da larga escala da circulação atmosférica, conforme poderá ser visto nos Mapas Eólicos.   Assim, ventos superiores a 7m/s poderão ser encontrados nas elevações mais favoráveis do continente, sempre associados à baixa rugosidade da campanha.   Outra grande área com velocidades superiores a 7m/s está ao longo do extenso litoral que se estende a partir de Imbé até o extremo sul do Estado, onde os ventos predominantes de leste-nordeste são acentuados pela ação diurna das brisas marinhas, ao longo dos meses de primavera, verão e início de outono.

Até aqui foram ressaltados os regimes predominantes do vento, mas é muito importante que se ressalte o caráter dinâmico das circulações sobre o Rio Grande do Sul, em especial as intermitentes passagens de frentes frias - que se intensificam no inverno e primavera, trazendo o célebre Minuano - vento forte, frio e cortante que sopra de SW sobre a campanha, com duração aproximada de três dias a cada passagem de massa polar.  

Uma amostra dessa dinâmica é apresentada na figura abaixo, onde são exemplificados os vetores de velocidade durante o deslocamento de uma massa de ar polar, representado pela cor azul.  O ar frio possui maior densidade e é alta a pressão barométrica na área ocupada por estas parcelas de atmosfera resfriada - que têm dimensão horizontal da ordem de 1 000 km e são geradas no Polo Sul, dentro do processo de circulação atmosférica.  Por ser mais densa, a massa fria avança levantando as massas de ar mais quentes à sua frente, causando a chuva na sua parte frontal.


A chegada da frente é precedida por ventos de norte-noroeste, que trazem os ventos mais intensos mas de pequena duração.  A passagem da frente é seguida pelo Minuano, sopro de ar polar, da direção sudoeste, com velocidades que podem exceder 10 m/s por alguns dias.  Depois, gradualmente, a situação geral dos ventos de leste-nordeste tende a se reestabelecer, até a passagem de nova frente.  No período apresentado na Fig.2.10 - amostragem de Julho-Agosto na Coxilha de Santana - pode-se observar a passagem de pelo menos 5 frentes frias, marcadas por variações de 360° na direção dos ventos; em um evento, o vento médio de 10minutos (a 40m de altura) atingiu 27m/s (97.2 km/h) durante a chegada de uma frontal.   Por três vezes no período amostrado, o Minuano teve persistência de dias, confome indicado em amarelo. Certamente o Minuano é um vento extremamente marcante para o gaúcho que cavalga pela campanha, pelo sopro forte de ar polar, denso e persistente ao longo de dias.  Apesar de não ser predominante, o Minuano agrega uma contribuição importante ao potencial eólico do Rio Grande do Sul.  
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